domingo, 18 de outubro de 2009

Pé Do Meu Samba


Invejoso confesso, queria eu ter criado esta bela canção para conquista-lá. Ainda assim, devoro-a na intimidade de meus sonhos e subterfúgios. Espero que sinta-se beijada com o fulgor dos inconsequentes.

Composição: Caetano Veloso

Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Você é a festa da Penha,
A feira de São Cristovão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal

Nunca me deixa na mão
Você é a canção que consigo
Escrever afinal
Você é o Buraco Quente
A Casa da Mãe Joana
É a Vila Isabel,
Você é o Largo do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!

Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Outeiro
Tudo para o coração
De um brasileiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O que você vê?

Onde você enxerga coisas sem sentido...
Eu vejo um mundo de sonhos e possibilidades.

domingo, 4 de outubro de 2009

Riso à toa

Riso à toa.
Que voa e revoa.
Que paira, na boca que desejo.

Riso à toa.
Que brinca com fogo.
Que antecede o sabor de um beijo.

Riso à toa.
Que acende a alma.
Que dita surpresas da vida.

Riso à toa.
Que agita o peito.
Inicio de uma história bem escrita

Riso á toa,
Que Ilumina, reforça, ressurge.
Que vaguei com graça pela rua.

Riso á toa,
Que produz, sucumbe, alucina.
Que seqüestra depressa para a Lua.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Amanheceu!

No trânsito vazio da cama...
A inércia dos gestos perdidos...
Açoite implacável da chama...
A clave no peito despido...

Inverno que finda na dor...
Primavera de flor e espinhos...
Verão enluarado de torpor...
Brisa leve que abre caminhos...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Trecho de Um Sonho


"lua
fruta flor folhuda
ah! a trilha de alcançar-te
galho, mulher, folho, filhos
malha de galáxias
tua pele se espalha
ao som de minha mão..."

Caetano. Genial.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Despir ou despedir.

Palavras...

São lâminas afiadas...

Na jugular dos sentimentos...

Da alma despida de ilusão.

sábado, 19 de setembro de 2009

Som do Botequim - O meu País



Composição: Livardo Alves - Orlando Tejo - Gilvan Chaves

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo