O maior gênio da crônica esportiva brasileira foi Nelson Rodrigues. Na tarde de ontem, no alto do céu, o mestre das palavras e da sensibilidade assistiu os feitos do fenômeno Ronaldo Nazário de Lima na Vila mais famosa do mundo. Na Vila mágica, aquela mesma arena mística, que viu nascer a áurea de um rei de nome Pelé, o maior de todos. Diante de tal espetáculo, se pudesse, Nelson diria:
A bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque. Foi o que aconteceu: — a pelota não largou Ronaldo, a pelota o farejava e seguia com uma fidelidade de cadelinha ao seu dono. (Sim, amigos: — há na bola uma alma de cachorra.)
No fim de certo tempo, tínhamos a ilusão de que só Ronaldo jogava. Deixara de ser um espetáculo de 22 homens, mais o juiz e os bandeirinhas. Ronaldo triturava os outros ou, ainda, Ronaldo afundava os outros numa sombra irremediável. Eis o fato: — a partida foi um show pessoal e intransferível.
E, no entanto, a recuperação do formidável jogador suscitara escrúpulos e debates acadêmicos. Tinha contra si a idade, não sei se 32, 34, 35 anos. Geralmente, o jogador de 34 anos está gagá para o futebol, está babando de velhice esportiva. Mas o caso de Ronaldo mostra o seguinte: — o tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para a mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à rainha de Sabá, a Cleópatra, uma certidão de nascimento. Do mesmo modo, que importa a nós tenha Ronaldo dezessete ou trezentos anos, se ele decide as partidas? Se a bola o reconhece e prefere?
No jogo Santos x Corinthians, ele ganhou a partida antes de aparecer, antes de molhar a camisa, pelo alto-falante, no anúncio de sua escalação. Em último caso, poderá jogar, de casa, pelo telefone.
*Trecho adaptado de uma crônica de Nelson Rodrigues intitulada “O craque sem idade”, publicada na Revista Manchete Esportiva, para o jogador Zizinho, que hoje também mora no céu, assim como Nelson.
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