
“Minha mãe é uma mulher que nasceu analfabeta”
Disse o nosso excelentíssimo presidente Lula, em um dos seus divertidos discursos.
Menção Honrosa:
“Ronaldo, brilha muito no Corinthians”, disse Zina, do Pânico.
Deliciem-se com o vídeo abaixo. Amanhã postarei mais.
Pelo fato de ter nascido dois anos depois da Copa de 82, não presenciei a seleção canarinho comandada pelo mestre Telê Santana que dizem ter sido a melhor de todos os tempos. Claro que, se eu pudesse, adoraria jogar ao lado de feras como Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico e Junior. Mas a seleção deste post não é exatamente o escrete de Telê, esse derrotado com três gols do mártir italiano Paolo Rossi. Eu gostaria sim de estar em campo, mas fazendo reportagem, minha grande paixão e, de preferência com esse timaço de feras da equipe esportiva da Rádio Globo capitaneada por Osmar Santos, o inesquecível Pai da Matéria. Faria tudo de graça se preciso, mesmo presenciando a tragédia do Sarriá e a "declarada" morte do futebol arte nos campos da Espanha.
Divido esse sonho "retrasado" com os meus amigos da Equipe G8 Sports. Eu sei que um dia vamos olhar para trás e comemorar juntos as vitórias da vida, confeccionadas à base de sangue, suor e lágrimas. Todos juntos, na mesma corrente, na mesma sintonia, naquele universo que criamos. Universo feliz, puro e, que é somente nosso. Sintam-se abraçados com fervor. Vamos viver nossos sonhos.
Dê um clique na foto para ampliá-la.
“... Lua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas...”
“... Dá-me tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar”.
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Você é a festa da Penha,
A feira de São Cristovão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal
Nunca me deixa na mão
Você é a canção que consigo
Escrever afinal
Você é o Buraco Quente
A Casa da Mãe Joana
É a Vila Isabel,
Você é o Largo do Estácio,
Curva de Copacabana
Tudo que o Rio me deu!
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país
determinação
de.ter.mi.na.ção
sf (lat determinatione) 1 Ato ou efeito de determinar. 2 Definição, indicação ou explicação exata. 3 Demarcação. 4 Ordem superior; prescrição. 5 Resolução, decisão. 6 Afoiteza, coragem, denodo.
O guerreiro pendurou as chuteiras...
Mas a Fiel nunca vai esquecer do seu "Zé".
Por incompetência administrativa o Corinthians perdeu Nilmar, um dos melhores atacantes do Brasil. O clube pagou 8 milhões de euros e ficou sem o jogador, que fez as malas e rumou para as suas origens coloradas. Ontem, em pleno Pacaembu, onde um dia fez sua morada, Nilmar foi o fenômeno da vez. Em lance genial, desconcertou a zaga como um tornado desvairado e arredio. Pintou o sete sob o olhar atônito e apaixonado da fiel, que até hoje sonha e namora com seus gols.
Com a velocidade de um Bugatti Veyron, Nilmar rompeu a zaga alvinegra e fuzilou o goleiro Felipe, que nada pode fazer. Na dança envolvente e sedutora de seus dribles, bailaram meia dúzia de "Joãos" dos novos tempos. Ágil e inteligente, Nilmaravilha fez gol de cinema. Portanto, senhoras e senhores, antes de abrir este vídeo, preparem aquela pipoca bacana e um bom copo de refrigerante da melhor qualidade. O ingressou já valeu a pena.
O maior gênio da crônica esportiva brasileira foi Nelson Rodrigues. Na tarde de ontem, no alto do céu, o mestre das palavras e da sensibilidade assistiu os feitos do fenômeno Ronaldo Nazário de Lima na Vila mais famosa do mundo. Na Vila mágica, aquela mesma arena mística, que viu nascer a áurea de um rei de nome Pelé, o maior de todos. Diante de tal espetáculo, se pudesse, Nelson diria:
A bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque. Foi o que aconteceu: — a pelota não largou Ronaldo, a pelota o farejava e seguia com uma fidelidade de cadelinha ao seu dono. (Sim, amigos: — há na bola uma alma de cachorra.)
No fim de certo tempo, tínhamos a ilusão de que só Ronaldo jogava. Deixara de ser um espetáculo de 22 homens, mais o juiz e os bandeirinhas. Ronaldo triturava os outros ou, ainda, Ronaldo afundava os outros numa sombra irremediável. Eis o fato: — a partida foi um show pessoal e intransferível.
E, no entanto, a recuperação do formidável jogador suscitara escrúpulos e debates acadêmicos. Tinha contra si a idade, não sei se 32, 34, 35 anos. Geralmente, o jogador de 34 anos está gagá para o futebol, está babando de velhice esportiva. Mas o caso de Ronaldo mostra o seguinte: — o tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para a mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à rainha de Sabá, a Cleópatra, uma certidão de nascimento. Do mesmo modo, que importa a nós tenha Ronaldo dezessete ou trezentos anos, se ele decide as partidas? Se a bola o reconhece e prefere?
No jogo Santos x Corinthians, ele ganhou a partida antes de aparecer, antes de molhar a camisa, pelo alto-falante, no anúncio de sua escalação. Em último caso, poderá jogar, de casa, pelo telefone.
*Trecho adaptado de uma crônica de Nelson Rodrigues intitulada “O craque sem idade”, publicada na Revista Manchete Esportiva, para o jogador Zizinho, que hoje também mora no céu, assim como Nelson.